segunda-feira, 14 de julho de 2008

Verdades

Além da imagem vista de maneira tão precária, tão desatenta, existe a original. Ela está oculta aos olhos da maioria. A felicidade é mostrada como embrulho. O interior é mantido oculto, tal qual uma caixa vazia.

Na verdade aparentamos ser a imagem de quem nos quer enxergar daquele jeito. Más interpretações, odeio más interpretações de terceiros tentando nos entender. "Por que isso?", "Por que aquilo?", "Ah, então você é assim por isso e aquilo.", "Não, isso não está certo!".

O julgamento alheio é feito de forma inpensada. Palavras muitas vezes não refletem o pensamento, o sentimento. Não é tão simples assim. Não te dou abertura para discordar, pois você estará errado se assim o fizer.

A interpretação ambulante de um papel não pessoal, feito apenas com o propósito de encaixar-se no seio da sociedade hipócrita.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Tempo


Tinha estudado bastante, considerado um gênio por muitos na área onde atuava profissionalmente. Entretanto, apesar de suas inúmeras leituras, aprendizados pela vida, sempre sucumbia aos prazeres desta última. Era inevitável, pois já estava velho.
Havia conquistado tudo o que queria quando criança, se não tudo pelo menos a maioria. Venceu as dificuldades que a vida lhe impôs, ensinou seus filhos sobre o bem e o mal, sobre os perigos da vida, das escolhas que fazemos, dos caminhos que tomamos.

No entanto, o instinto sempre parecia ser mais forte do que a razão. O tempo estava vencendo-o, não havia o que fazer, 60 anos já não são mais 18. A única solução era aproveitar e aproveitar bem o que lhe restava.

Tempo, eis o seu maior inimigo e amigo, duas faces de uma mesma moeda. Agora já não tinha tanto quanto foi dito no último parágrafo. O rio já não era o mesmo. Os sabores mudaram. A luz não parecia ser tão amistosa assim. Tempo passado, horas que não voltam mais, anos desperdiçados.

Pensava que sua carne seria jovem e viveria para sempre, pura ilusão. Descanso.